Ao entrar no carro, cerca das quatro horas da manhã, Delfina trazia consigo uma
preocupação grave, que eram ao mesmo tempo duas. Isto pede alguma explicação.
Voltemos à primeira valsa.
A primeira valsa que Delfina executou no salão do coronel foi um puro ato de
complacência. O irmão dela apresentou-lhe um amigo, o bacharel Soares, seu
companheiro de casa no último ano da academia, uma pérola, um talento, etc. Só não
acrescentou que era dono de um rico par de bigodes, e aliás podia dizê-lo sem mentir
nem exagerar nada. Curvo, gracioso, com os bigodes espetados no ar, o bacharel Soares
pediu à moça uma roda de valsa; e esta, depois de três segundos de hesitação,
respondeu que sim. Por que hesitação? Por que complacência? Voltemos à primeira
quadrilha.