Por ocasião da morte do marido, aquele pobre Estanislau, que, depois de uma
luta horrível, foi afinal vencido pela tuberculose, Adelaide parecia que ia também
morrer. Dizia-se que ela amava tanto o marido, que fizera o possível para
contrair a moléstia que o matou e acompanhá-lo de perto no túmulo. Emagreceu
a olhos vistos, e toda a gente contava que, mais dia menos dia, Deus lhe fizesse
a vontade; mas o tempo, que tudo suaviza e repara, foi mais forte que a dor, e
ano e meio depois de enviuvar, Adelaide estava rubicunda e linda como não
estivera jamais.
O Estanislau deixou-a paupérrima. O pobre rapaz não contava arrumar a trouxa
tão cedo, ou, por outra, não teve com que preparar o futuro. Enquanto viveu,
nada faltou em casa; depois que ele morreu, tudo faltou, e Adelaide, que
felizmente não tinha filhos, aceitou a hospitalidade que lhe ofereceram seus pais.
- Vem outra vez para o nosso lado, disseram-lhe os velhos; façamos de conta
que te não casaste.
Não tardou muito que aparecesse um namorado à viúva. Era um excelente
moço, o Miranda, que freqüentava a casa dos velhos por ser funcionário da
mesma secretaria onde o pai de Adelaide era chefe.